Fellowships
Na prática, um fellowship é uma bolsa para executar um projeto, estudar um tema ou ambos. É uma espécie de prêmio que reconhece sua experiência e aposta no impacto do que você propõe.
Fellowships oferecem a oportunidade de passar um tempo dedicado a um projeto jornalístico. Historicamente, as maiores oportunidades estão no exterior, mas cada vez mais surgem bolsas com trabalho remoto ou de organizações brasileiras. Durante o período da bolsa, você é seu próprio chefe, se organiza no seu ritmo e participa de encontros com outros bolsistas — o que gera um networking valioso.
Características de um fellowship
- Você precisa demonstrar experiência na área e que seu projeto terá impacto.
- Períodos mais longos que uma bolsa de reportagem — pode durar até um ano.
- Pode conter mentoria com especialistas e encontros regulares com outros fellows.
- Há oportunidades em áreas correlatas ao jornalismo: direitos humanos, economia, meio ambiente, tecnologia.
Como aplicar a um fellowship
O mais comum é que os editais exijam a apresentação de um projeto de reportagem de longo prazo ou de pesquisa. Os processos costumam demorar — planeje-se e não deixe para o último dia. Algumas perguntas que devem guiar sua aplicação:
- Como meu projeto será útil para a comunidade em que convivo?
- Por que eu sou a pessoa certa, no lugar certo, para executar este projeto?
- Que diferencial eu trago em relação aos outros candidatos?
Jornalistas mais experientes costumam ter vantagem — alguns editais exigem 10 ou mais anos de carreira —, mas isso não é regra. Existem fellowships voltados para jornalistas em início de carreira e até para estudantes de jornalismo.
Procure ativamente pelas oportunidades, pense em projetos com antecedência e aplique quantas vezes for necessário. O não você já tem. Só precisamos de um sim.
Principais fellowships
Nieman Fellowship
Um dos mais prestigiados do mundo. Jornalistas passam um ano acadêmico em Harvard, com liberdade para assistir aulas em qualquer faculdade.
Knight Science Journalism (KSJ)
Fellowship para jornalistas de ciência no MIT. Inclui acesso a laboratórios, aulas e mentoria de pesquisadores.
Reuters Institute Fellowship
Programa para jornalistas em Oxford, focado em pesquisa sobre mídia e jornalismo. Ideal para quem quer combinar prática e reflexão acadêmica.
International Center for Journalists
Diversos programas de fellowship ao longo do ano, com foco em inovação, investigação e jornalismo digital.
Rainforest Investigations Network
Rede de jornalistas investigativos focados em florestas tropicais. Oferece fellowships, financiamento e suporte editorial.
Lede Program
Programa intensivo de jornalismo de dados na Columbia. Focado em programação, análise de dados e storytelling digital.
O LatAm Journalism Review publicou uma lista atualizada de fellowships, bolsas e oportunidades para jornalistas da América Latina: ver oportunidades abertas para 2025-2026.
Bolsas de estudo
Mestrados, doutorados e especializações: uma oportunidade para se aprofundar em um tema, expandir seus horizontes profissionais e construir uma rede internacional.
Bolsas de estudo são uma porta de entrada para outro patamar profissional. Elas oferecem a chance de se especializar em um tema ou técnica de trabalho, sair da zona de conforto, expandir as possibilidades de como fazer jornalismo e garantir recursos por um período determinado. Para muitos jornalistas, é também uma excelente opção de transição de carreira.
Por que considerar uma bolsa de estudo
- Especialização temática ou técnica — mergulhar em um assunto que você já cobre ou quer cobrir.
- Sair da zona de conforto — viver em outro país, aprender outro idioma, conviver com pessoas de áreas diferentes.
- Recursos garantidos — durante o período da bolsa, você tem estabilidade financeira para se dedicar.
- Transição de carreira — um mestrado ou doutorado pode abrir portas para a academia, organizações internacionais ou áreas correlatas.
- Networking — as conexões feitas durante os estudos costumam durar a carreira inteira.
Fique de olho também em vagas para aluno especial em universidades brasileiras — é uma forma de testar se aquele programa é para você antes de se comprometer com uma pós-graduação completa.
Como aplicar
A aplicação para bolsas de estudo exige planejamento e reflexão. Não é algo que se faz da noite para o dia. Algumas perguntas essenciais:
- Construa sua narrativa. Isso requer tempo e reflexão sobre quem você é e para onde quer ir.
- Tenha bons exemplos de trabalhos feitos e mostre como eles se encaixam na sua narrativa.
- Para onde essa história pode te levar? Conecte seu passado com o futuro que você projeta.
- Por que esta bolsa? O que essa organização ou universidade tem de diferente? Quais professores ou aulas te interessam?
- Que contatos você já teve com a instituição? Participou de eventos, leu pesquisas, conversou com alguém de lá?
Pode haver provas de conhecimento no processo, mas elas não costumam ser tão difíceis quanto parece — dependendo da instituição. O mais importante é a coerência da sua proposta.
Exemplos de programas
FGV — Fundação Getulio Vargas
Diversos programas de mestrado e especialização em políticas públicas, economia, direito e administração, com interface direta com o jornalismo.
University of Maryland — Philip Merrill College of Journalism
Um dos programas mais respeitados de jornalismo dos Estados Unidos, com forte ênfase em investigação e dados.
University of Cambridge
Programas de mestrado e doutorado em diversas áreas, incluindo políticas públicas, sociologia, criminologia e desenvolvimento — todos com aplicações diretas ao jornalismo investigativo.
Bolsas de reportagem / Grants
Grants são o combustível para tirar do papel aquela investigação que um trabalho como freelancer comum não pagaria. Hotel, passagem, fotografia, vídeo — tudo entra.
Diferentemente de fellowships e bolsas de estudo, os grants de reportagem são recursos financeiros destinados especificamente à produção de uma matéria ou série de matérias. Eles permitem que você execute projetos ambiciosos que exigem viagens, contratação de fotógrafos ou cinegrafistas, acesso a bases de dados pagas e tempo dedicado de apuração.
Por que buscar um grant
- Tirar ideias do papel — projetos que um trabalho freelancer comum não bancaria.
- Cobrir custos de apuração — combustível, hotel, fotografia, vídeo, equipamento.
- Enriquecer o currículo — grants são valorizados no mercado e podem render prêmios.
- Aproximação com a organização financiadora — que pode se tornar uma parceira de longo prazo.
Uma dica importante: já combine com um editor onde o projeto será publicado, pois a organização financiadora provavelmente vai cobrar isso.
Exemplos de grants para jornalistas
EJN Reporting Fellowships
Bolsas de reportagem para cobrir temas ambientais. Valores a partir de US$ 5.000, com suporte editorial e mentoria.
Editais Jeduca
Bolsas para reportagens sobre educação no Brasil. Editais abertos periodicamente.
Becas de periodismo
Bolsas da fundação criada por Gabriel García Márquez para jornalistas latino-americanos. Diversos temas e formatos.
Microbolsa
Programa da Agência Pública para financiar reportagens investigativas de jornalistas independentes e freelancers.
Y. Eva Tan Conservation Reporting Fellowship
Fellowship para reportagens sobre conservação ambiental, com foco em biodiversidade e florestas.
Como montar sua aplicação
A aplicação a uma bolsa ou fellowship é um exercício de autoconhecimento e estratégia. Cada peça do dossiê precisa contar a mesma história — a sua.
História mínima e história máxima
Antes de escrever qualquer coisa, reflita sobre a história que você quer contar. Pergunte-se: o que a pré-apuração já tem? A história se sustenta só com o que já existe? Quais outras hipóteses você tem e como pretende chegar até elas? Quem poderá ser ouvido? O que já foi publicado sobre o assunto e o que ainda é inédito? Onde a reportagem será publicada?
Leia o edital com calma e veja como se encaixar de forma específica. Não aplique igual para todos os lugares. Cada organização tem prioridades, valores e critérios diferentes.
Carta de recomendação
A carta de recomendação é uma das peças mais delicadas da aplicação. Feita da maneira certa, pode ser o fator decisivo. Feita de qualquer jeito, pode prejudicar mais do que ajudar.
- Só quem te conhece de fato. Nada de pedir carta para pessoas famosas que mal sabem quem você é.
- Só ex-chefes que trabalharam diretamente com você. Nada de colegas, amigos de bar ou chefes de outras áreas. (Pode ser colega de trabalho caso ele tenha algo excepcional a dizer de uma parceria que vocês fizeram, um momento difícil em que você foi fundamental etc., mas nunca apenas pela amizade em si nem com informações genéricas. Lembre-se: é você se promovendo pelo olhar do outro.)
- Peça para ver a carta antes do envio. A maioria das pessoas fica feliz em mostrar. Isso evita surpresas.
- Chegue com uma história pronta. Lembre a pessoa de um projeto incrível que vocês fizeram juntos e peça para ela focar naquilo. Se você não direcionar, corre o risco de receber algo genérico.
- Nunca invente ou exagere. O mundo é pequeno e vão acabar descobrindo.
- Responda: por que você? Por que agora?
Peça elogios. Sim, é estranho. Mas a carta de recomendação existe para isso. Se a pessoa se ofereceu para escrever, ela quer te ajudar. Direcione e facilite o trabalho dela.
Exemplo real: trecho de carta da Abraji
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) é uma organização que atua em defesa do jornalismo e dos jornalistas há 20 anos. Somos responsáveis por um dos maiores congressos do setor na América Latina, com cerca de 9 mil participantes na última edição, em 2021, projetos de fomento ao jornalismo de alcance nacional como o Comprova, iniciativa de fact-checking em parceria com o Shorenstein Center/Harvard Kennedy School e 40 meios de comunicação brasileiros, a produção de cursos que treinam milhares de jornalistas todos os anos e projetos que defendem a liberdade de expressão e informação.
Um dos pilares da Abraji desde a sua fundação é o bom funcionamento da transparência pública no Brasil. Nossa entidade foi criada tendo como uma das bandeiras a aprovação da Lei de Acesso à Informação (FOIA ou LAI, em português) e fomos um dos mais ativos ativistas do movimento que deu origem à lei. Fomos um dos criadores do Fórum de Acesso às Informações Públicas, conjunto de organizações da sociedade civil que defenderam a criação da LAI e, hoje, monitoram o seu devido funcionamento.
Desde 2020 reforçamos esse trabalho de defesa da LAI com a entrada do jornalista Luiz Fernando Toledo em nosso quadro de diretores, cargo ocupado por eleição entre nossos associados, sem remuneração, que tem como função o acompanhamento, supervisão e, eventualmente, execução de projetos. Toledo é hoje um dos principais especialistas no acesso à informação pública entre jornalistas no Brasil. Desde sua entrada, ele tem se dedicado a produzir relatórios de monitoramento à LAI pela Abraji e coordenou, no ano passado, uma pesquisa junto à Reuters Institute for the Study of Journalism com quase 400 jornalistas brasileiros.
O estudo por ele coordenado mostrou que há pouco conhecimento e uso da LAI (metade dos jornalistas nunca a utilizou) entre jornalistas e, mesmo para quem a conhece, há grandes dificuldades de obter respostas satisfatórias. Com os resultados da pesquisa, Toledo se organizou com nossa equipe e com a agência Fiquem Sabendo, da qual ele é cofundador, para criar um curso que hoje já foi assistido por mais de 1 mil jornalistas e está sendo aplicado em dez redações brasileiras.
A Abraji apoia fortemente a iniciativa proposta por Toledo de cobrir a transparência pública como um tema de interesse social, bem como tem interesse em ajudar a expandir o projeto em nossas redes com jornalistas locais e redações, por meio de cursos, tutoriais e eventos. Entender os dados públicos e ajudar jornalistas a usá-los da melhor forma é um desafio atual e constante das redações que precisa ser endereçado por pessoas especializadas no assunto. É preciso insistir no assunto com as autoridades e cobrar o funcionamento da lei de forma sistemática.
Repare como a carta não é genérica. Ela contextualiza a organização, descreve o papel da pessoa, cita projetos concretos e usa números (mais de 1.000 jornalistas treinados, pesquisa com quase 400 jornalistas). É isso que uma boa carta faz: conta uma história com evidências.
Carta de apresentação
Você com certeza é a melhor pessoa do mundo em alguma coisa — ou foi a melhor pessoa do mundo em alguma situação específica que vivenciou. Os avaliadores não querem histórias genéricas. Mas também não precisam de invenções. É só lembrar daquela coisa que você realmente gostou de fazer e que deu certo: uma boa pauta executada com sucesso, um projeto, uma história pessoal interessante.
Prefira contar histórias a citar cargos e títulos. Os cargos e títulos precisam vir junto com a história, não sozinhos. Busque uma narrativa de vida: por que você está aqui? Para onde quer ir? Como as coisas que fez te tornam o candidato ideal?
Perguntas a responder na carta
- Quem é você?
- Qual sua área de interesse?
- Qual seu diferencial?
- Que história de vida ou profissional exemplifica esses três primeiros pontos?
- Qual foi o impacto do seu trabalho até agora?
- Que oportunidades você já teve antes — e como se beneficiou delas e as devolveu para a sociedade?
- Como essas experiências serão úteis nesse novo projeto ou organização?
- Por que aqui? O que te interessa mais nesta organização?
- Qual sua relação com essa organização?
Nem arrogância, claro. Mas você vai dizer por que é o melhor candidato. Se você não disser, ninguém vai adivinhar.
Currículo
O currículo para aplicações a bolsas e fellowships segue uma lógica diferente do currículo convencional. A regra de ouro: uma página. Mais do que isso, ninguém lê.
- Não coloque só o nome dos cargos. Diga, em uma frase, algo muito legal que você fez ali — sua melhor matéria, uma ideia que melhorou um processo, qualquer coisa que possa interessar a quem está lendo.
- Destaque o que interessa mais àquele projeto ou bolsa. Adapte o currículo a cada aplicação.
- Prêmios funcionam melhor como parte da história. Em vez de listar prêmios, cite-os ao descrever um trabalho: "produzimos reportagens que foram reconhecidas com o prêmio X".
- Nem todos os trabalhos precisam estar lá. Selecione o que for relevante para aquela aplicação específica.
Pitch de projeto
Seu projeto é o melhor projeto. Você só precisa convencer os jurados disso. Se você não concordar, talvez precise reestruturar a ideia.
Um bom pitch de projeto é construído com clareza, pesquisa e estratégia. Antes de escrever, estude o que a organização financiadora busca: veja nos sites as palavras-chave, os temas prioritários, os projetos bem-sucedidos de edições anteriores. Defina de forma muito clara onde você quer chegar e de onde está partindo.
O que os avaliadores esperam
- Entregáveis claros — audiência, impacto social, formação, multiplicação. Cada financiador pensa em impacto de um jeito diferente.
- Pesquisa de custos detalhada — não saber quanto custa a passagem ou o hotel pode demonstrar que você não pesquisou o suficiente.
- Coerência entre problema, método e resultado — o avaliador precisa enxergar o caminho do início ao fim.
Exemplo prático: bolsa EJN (US$ 5.000) — O pau-brasil
Para ilustrar como funciona um pitch completo, veja o exemplo real de uma aplicação bem-sucedida à Earth Journalism Network, no valor de US$ 5.000, para investigar o contrabando de pau-brasil.
O pitch
O pau-brasil é uma árvore ameaçada de extinção que tem sido usada para produzir os melhores arcos de violino e violoncelo do mundo há décadas. Mas boa parte de sua produção é ilegal. O OCCRP e a revista piauí revelaram, em dezembro de 2022, nomes de famosos fabricantes de arcos investigados por contrabandear esses arcos ilegais para os EUA, Europa e Japão. Agora vamos descobrir de onde vem a madeira, as conexões entre contrabandistas e fabricantes de arcos e como eles conseguem exportar a madeira para outros continentes. Em uma segunda parte, investigaremos quais são as iniciativas que estão tentando fazer com que o pau-brasil sobreviva e se torne sustentável.
Fontes esperadas
- Fontes do Ibama oficiais na operação Do-Re-Mi (orientação, sem citação direta).
- Fontes da Polícia Federal envolvidas na operação (documentos, sem menção na reportagem).
- Especialistas em unidades de conservação da UFBA.
- Especialistas da UFRJ envolvidos na conservação do pau-brasil.
- Especialistas do Incaper (Espírito Santo).
Fontes de dados
- Conjunto de dados de multas ambientais do Ibama (dados abertos).
- Solicitações via LAI ao Ibama, ICMBio, Polícia Federal e governos estaduais da Bahia e Espírito Santo.
Plano de apuração
Fontes do Ibama indicaram quem está extraindo pau-brasil no sul da Bahia. Com essas informações, foram enviadas solicitações via LAI para obter sanções ambientais contra essas pessoas e empresas. Em paralelo, busca-se obter relatórios policiais que comprovem, por meio de análise laboratorial, que a madeira apreendida de fabricantes de arcos no Espírito Santo foi extraída ilegalmente do Parque Nacional do Pau Brasil. Está planejado o envio de um repórter freelancer ao sul da Bahia e, se houver avanços no ângulo internacional, entrevistas em Londres com compradores de pau-brasil bruto e arcos.
Resultados esperados
Dois artigos de 1.500 palavras cada — um sobre os contrabandistas e um sobre a conservação do pau-brasil. Publicação na revista piauí (português) e, havendo ângulo internacional, no OCCRP (inglês). Além disso, divulgação de todos os dados e documentos em newsletter e coleções no DocumentCloud e Google Pinpoint para que outros repórteres possam produzir histórias locais.
Equipe
- Luiz Fernando Toledo — repórter e coordenador.
- Fernanda da Escóssia — editora da revista piauí.
- Fernanda Santana — repórter freelancer na Bahia.
- Joana Moncau — fotógrafa.
Timeline
- Janeiro 2023 — Encontrar freelancers; enviar solicitações via LAI.
- Fevereiro 2023 — Viajar, escrever, verificar fatos.
- Março 2023 — Publicar a primeira história sobre extração e conexão com fabricantes de arcos.
- Abril 2023 — Publicar a segunda matéria sobre preservação; enviar dados e documentos via newsletter.
Impacto e grants de longo prazo
Grants maiores exigem demonstração de impacto. Mas o que é impacto, afinal? E como medi-lo?
Quando você busca financiamento para projetos jornalísticos de médio e longo prazo, a conversa sobre impacto se torna central. Organizações que oferecem grants de maior valor querem saber não apenas o que você vai produzir, mas que diferença isso vai fazer no mundo.
Como medir impacto
- Número de citações — quantas vezes seu trabalho foi referenciado por outros veículos, pesquisadores ou instituições.
- Visualizações e tempo de leitura — métricas de audiência que mostram alcance e engajamento.
- Comentários e repercussão — o debate público gerado pelo trabalho.
- Impacto no local — mudou alguma realidade? Conscientizou pessoas? Gerou ação?
- Formação de pessoas — mais gente ficou capacitada a realizar alguma atividade?
- Mudanças em políticas públicas — reconhecimento público de erros ou problemas; alterações legislativas ou administrativas.
Grants para projetos de médio e longo prazo
Instituto Serrapilheira
Apoio institucional a organizações (não pessoas físicas, em geral) para projetos de divulgação científica e jornalismo investigativo de longo prazo.
Instituto Ibirapitanga
Apoia projetos nas áreas de política de drogas, liberdades, equidade racial e cultura. Submeta seu projeto pelo site.
Google para jornalistas
O Google mantém diversos programas de financiamento e ferramentas para jornalistas, com editais que abrem periodicamente. Fique sempre de olho — e siga profissionais que acompanham essas oportunidades de perto.
Natalia Mazotte é uma das principais referências brasileiras em inovação no jornalismo e acompanha de perto os programas do Google e de outras organizações. Siga-a no LinkedIn.
Dicas finais
O que mais pode fazer diferença na sua busca por financiamento: idiomas, persistência, IA e marca pessoal.
Falar um segundo idioma ajuda muito
Nossa moeda está desvalorizada, o que significa que uma bolsa mediana dos Estados Unidos ou de outro país pode bancar um ou mais anos de trabalho se for remota. Financiadores internacionais costumam incomodar menos ao longo do percurso. Falar outro idioma facilita o acesso a novas fontes e estudos — nem tudo dá para ficar jogando no Google Translator. Além disso, pode ajudar a criar contatos no exterior e até a conseguir oportunidades fora do Brasil.
Não se desespere: pode ser um plano para médio ou longo prazo. Nem todo mundo pode querer ou precisar disso. Mas que ajuda, ajuda.
Aplique mesmo sem preencher todos os requisitos
Recrutadores pedem o que imaginam ser o mundo ideal. Às vezes nem eles sabem direito o que estão pedindo. Que outros pontos fortes você tem que podem substituir os fracos ou até te dar vantagem? Aplique assim mesmo. Só não invente nenhuma habilidade que não tem.
Uma bolsa leva a outras
Saber que alguém executou um projeto até o fim, sem dar dor de cabeça, é um grande trunfo no mundo das bolsas e grants. Não é incomum ouvir histórias de bolsistas que não entregam o projeto. Há muita valorização de quem se compromete com o trabalho e entrega resultados.
Lembre-se: a bolsa é uma oportunidade, não um direito constitucional. Agarre e use da melhor forma. Quem dá bolsas é praticamente um investidor — mostre o bom retorno que terão. Se tiver como mostrar experiências passadas de outras bolsas, mostre.
Fique de olho nas agendas e planeje
- Sites de associações jornalísticas — Abraji, Ajor, ICFJ, GIJN e outras publicam editais regularmente.
- Newsletters — inscreva-se nas newsletters das organizações que te interessam.
- LinkedIn — siga pessoas e organizações do setor para não perder oportunidades.
Use IA para treinar
A inteligência artificial pode ser uma aliada poderosa na preparação da sua candidatura. Use para treinar para entrevistas, pedir para editar e melhorar o pitch, ser crítico com suas ideias e brigar com elas até encontrar o formato ideal. Use também para analisar sites e editais em busca de palavras-chave, e para estudar projetos vencedores de anos anteriores.
Não vá colar um "Claro, aqui está o que você pediu, quer algo mais?" no seu projeto. Revise tudo com olhar humano.
Prompt para análise de edital
As perguntas que eles fazem são essas abaixo. Me ajude a preencher com base na minha ideia.
Prompt crítico
Prompt para geração de ideias
Promova sua imagem
Nossa marca pessoal é um dos valores mais importantes que temos. Sempre que conquistar uma bolsa ou concluir um projeto, pense em como isso vai te ajudar a construir essa imagem. Quais valores te aproximam do projeto? Quais você não aceitaria de jeito nenhum?
Que história sobre nós queremos contar? A resposta a essa pergunta deve guiar suas aplicações.
Links e referências
Todos os links mencionados nesta apostila, organizados por categoria, para você voltar aqui sempre que precisar.
Fellowships
- Nieman Fellowship · Harvard
- Knight Science Journalism (KSJ) · MIT
- Reuters Institute Fellowship · Oxford
- ICFJ Fellowships
- Rainforest Investigations Network · Pulitzer Center
- Lede Program · Columbia University
- LatAm Journalism Review · Oportunidades abertas 2025-2026
Bolsas de estudo
- FGV — Fundação Getulio Vargas
- University of Maryland — Philip Merrill College of Journalism
- University of Cambridge
Grants e bolsas de reportagem
- EJN Reporting Fellowships
- Jeduca · Editais
- Fundación Gabo · Becas de periodismo
- Agência Pública · Microbolsa
- Mongabay · Y. Eva Tan Conservation Reporting Fellowship
Grants de longo prazo
- Instituto Serrapilheira · Programa de Jornalismo e Mídia
- Instituto Ibirapitanga · Submeta seu projeto
Organizações e comunidades
- Abraji · Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
- ICFJ · International Center for Journalists
- GIJN · Global Investigative Journalism Network
- Fundación Gabo
- Pulitzer Center
Pessoas para seguir
- Natalia Mazotte · LinkedIn — inovação no jornalismo e programas Google